Antes de sairmos por aí procurando um gatinho para nos fazer companhia, devemos procurar saber o que isso significa em termos de custos. Apesar de sua propalada independência, os gatos precisam de cuidados dos donos.
O gato pode ser o melhor animal de estimação para muita gente, inclusive, ocupa cada vez mais espaço no coração dos brasileiros. Muitas pessoas têm descoberto que ter um bichano em casa é um investimento na saúde emocional e física, conforme vários artigos científicos têm propalado. Além disso, gatos ocupam menos espaço, dando-se muito bem em apartamentos, são mais higiênicos (utilizam a caixinha de areia) e não têm que ser levados na rua para suas necessidades. Embora o custo de manutenção de um gatinho seja menor do que o de um cachorro, há custos que não podem ser ignorados e que muitas vezes podem ser maiores do que a gente pensa.
Muitas pessoas chegam até a pensar que o custo de se manter um bichano é quase nada, afinal gatos comem pouco, não dão trabalho e são ‘independentes’. No entanto, a realidade mostra que custo importa e importa muito já que influencia diretamente no tipo e na qualidade do cuidado do animal que queremos ter. Se a qualidade de vida do bichano é ruim, é bastante provável que o animalzinho vá sofrer de alguma doença, às vezes grave, acarretando muitas despesas, além do sofrimento físico e psicológico do bichano e de seu dono.
Quando se busca um gatinho de raça, temos que ser ainda mais criteriosos, pois algumas raças necessitam de cuidados especiais. Com o objetivo de orientar o/as ‘marinheiro/as de primeira viagem”, segue abaixo uma sugestão de lista para o ‘enxoval’ do gatinho, que inclui itens necessários à acomodação e adaptação do novo amiguinho. Em seguida, apresentamos uma pequena descrição de alguns itens de primeira necessidade de forma que se possa planejar melhor o orçamento felino. Como os preços dos diversos itens variam muito dependendo da loja, do bairro, da cidade e do estado, a sugestão aqui seria de se fazer um levantamento de custos junto a petshops, supermercados, lojas virtuais, clínicas veterinárias e outros a fim de localizarmos o melhor preço e qualidade do que estamos buscando.
1. Caixa de areia
2. Granulado higiênico
3. Ração
4. Arranhadores
5. Brinquedos
6. Escova e pente
7. Potes para água e ração
8. Vacinas
9. Tela para janelas e varanda da casa ou apartamento
10. Caixa de transporte
1. Caixa de areia/ bandeja sanitária/banheiro de gatos – se for um filhote, dependendo do tamanho, há a necessidade de se comprar uma bandeja ou caixa baixinha para que ele possa utilizá-la. Se for alta, o gatinho vai acabar fazendo suas necessidades no chão. Quando ele crescer, precisará de uma caixa maior, de preferência coberta ou com moldura para não espalhar o granulado higiênico para fora da caixa, pois gatos tendem a ‘ciscar’ a areia pata enterrar suas necessidades.
2. Granulado higiênico – há muitas marcas de vários tipos no mercado. Os preços variam muito de forma que é necessário avaliar o custo-benefício de uma determinada marca sempre lembrando que quanto pior a qualidade do granulado, mais freqüente deverá ser sua troca. O objetivo do uso do granulado é proporcionar ao gato o conforto que teria em seu ritual higiênico. Com a evolução da tecnologia, hoje em dia é possível encontrar vários tipos de granulado que desodorizam e matam germes, pois contêm desinfetantes, desodorizadores e até bactericidas. É importante também verificar a aceitação por parte do consumidor, o bichano, se ele gosta ou não do que lhe é oferecido. O custo vai depender da quantidade usada e do tamanho do pacote. A sugestão é observar e anotar o uso e o custo durante o primeiro mês, não esquecendo que à medida que o gatinho for crescendo mais granulado vai ser usado.
3. Ração seca - Enquanto filhote, até um ano de idade, o gatinho deverá utilizar ração para filhotes. Depois que completar um ano, ele vai utilizar ração para adulto.
Que tipo de ração é melhor? Existem vários tipos de ração: (i) super-premium, (ii) premium, (iii) standard , (iv) popular e (v) terapêutica.
A ração super premium é a melhor ração que se pode dar a um gato (filhote ou adulto), pois é balanceada, com composição ideal para os bichanos. Essa ração é produzida com fontes de proteína de origem animal (geralmente de carne e vísceras de frango) e por esse motivo tem uma digestibilidade maior. Isso quer dizer que a digestão, absorção e utilização da proteína da carne animal é muito melhor para os gatos (animais carnívoros por excelência) do que das proteínas vegetais usadas em outros tipos de ração. Dessa forma, quanto melhor a digestibilidade, mais fácil a metabolização e a assimilação dos nutrientes. Além disso, a ração super premium utiliza conservantes naturais, não têm corantes nem palatabilizantes (substâncias químicas que fazem com que o alimento fique mais ‘gostoso’ para os bichanos). Como é uma ração feita com proteína de boa qualidade, só um pouco dela é necessário para saciar o bichano. Os resultados dessa ‘pouca’ ingestão são: (i) maior qualidade na alimentação, (ii) menos problemas de saúde do que se desse ração de baixa qualidade, (iii) menor consumo diário de ração e (iv) poucas fezes (o que acarreta em baixo consumo de granulado higiênico). O preço da ração super premium é mais elevado, mas seu uso implica em um investimento na saúde do gatinho, pois vai alimentá-lo e nutri-lo bem oferecendo a ele os nutrientes necessários para seu desenvolvimento. Uma ração que tenha menos cálcio, por exemplo, pode comprometer o desenvolvimento dos ossos e assim por diante. Existem várias marcas disponíveis no mercado, cabendo ao proprietário a escolha dos produtos que mais lhe convêm. A ração tem que estar disponível para o gatinho 24 horas por dia, pois gatos comem pouco, mas com muita freqüência. O valor da ração, assim como seu consumo, tende a variar de acordo com o local onde se compra e o consumo do gato, de forma que somente a observação do dono é que vai dizer o quanto vai ser gasto num mês. Como existem várias boas marcas no mercado, a sugestão seria optar por duas ou três especialmente no caso de falta de uma delas. Dessa forma o bichano não teria muito problema em se adaptar a uma outra ração quando a dele não estiver disponível no mercado.
A ração premium tem também um balanceamento considerado ‘ideal’, todavia, sua fórmula utiliza uma quantidade maior de proteína vegetal, que por ser mais barata torna o custo da ração também menor. No entanto, para satisfazer suas necessidades nutricionais, o gatinho vai comer mais, o que aumenta o volume das fezes. Outro aspecto para se considerar é que para o bichano ‘gostar’ dessa ração são inseridos palatabilizantes, que são substâncias químicas não-recomendáveis. A ração também contém conservantes e corantes artificiais. Muitas vezes o proprietário do animal opta por utilizar uma mistura dos dois tipos: premium e super premium. Seria isto certo ou errado? Neste caso somente o tempo vai dizer, pois a ingestão de conservantes, corantes e palatabilizantes, ao longo da vida, pode trazer conseqüências indesejáveis, como, por exemplo, o aparecimento de algum tipo de doença, tendo o proprietário então que arcar com custos veterinários além do sofrimento do gatinho e seu próprio. Na dúvida, a melhor sugestão é sempre consultar seu veterinário.
A ração standard é também balanceada, porém a qualidade da proteína utilizada em sua fabricação é inferior, como por exemplo, farinha de carne e ossos (em vez de partes mais nobres da carne), glúten de milho, gordura animal, soja, etc. Esse tipo de ração é geralmente fabricado por empresas que têm um nome na praça e estão sempre buscando aumentar sua participação no mercado consumidor. A digestibilidade fica prejudicada por causa de ingredientes tais como soja, glúten ou milho, que não são proteína animal, sem falar na grande quantidade de palatabilizantes, corantes e conservantes adicionados. Um gato pode viver com esse tipo de ração, entretanto, ele terá que ingerir uma grande quantidade dela para adquirir os nutrientes na quantidade que necessita. Os problemas em decorrência do uso contínuo deste tipo de ração podem não demorar muito a aparecer.
A ração do tipo popular é a mais barata que existe no mercado. Sua qualidade é mais inferior, pois é fabricada com sub-produtos de soja, farelo de algodão, milho, etc. Esses ingredientes, mais baratos, são ideais para animais que têm alimentação mais vegetariana tais como bois, cavalos e carneiros e não para animais carnívoros como os gatos.
A ração terapêutica é indicada pelo médico veterinário para auxiliar em algum tratamento de alguma doença, muitas vezes provocada por alimentação inadequada.
4. Alimentação úmida - Como o gato é carnívoro por excelência, podemos oferecer ainda, sem sal e sem temperos: (i) vários tipos de carne vermelha, todas cozidas de alguma forma para matar vermes e bactérias, (ii) frango cozido no forno ou na chapa; (iii) peixe cozido, assado ou na chapa. Outras opções de alimentação que contêm proteínas são: leite de cabra, creme de leite, sachets e pastinhas (latinhas). Entretanto, muita atenção ao oferecer os patês, muito palatáveis por sinal, mas podem prejudicar a saúde bucal dos bichanos e propiciar a formação de cálculo dentário (tártaro).
Lembretes: Evitar dar ao bichano alimentação que não seja a recomendada, tipo, chocolate, biscoitos, pão, frutas, vegetais, etc. O gato não digere carboidratos.
5. Arranhador - Gatos precisam de exercício da mesma forma que nós humanos. O arranhador ajuda os gatos em seu exercício diário além de oferecer relaxamento e um local para afiarem suas unhas eliminando as camadas das unhas que as cobrem. Muitos gatos preferem arranhadores horizontais, tipo tapetes, enquanto outros preferem verticais. O ideal é oferecer pelo menos dois tipos. O uso do arranhador previne o desgaste de tapetes e sofás. A vida útil do arranhador vai depender de sua qualidade e de seu uso-gato. O sisal que faz parte de alguns arranhadores podem se transformar em fios que podem ser objeto de brincadeira dos bichanos, que podem engoli-los causando problemas sérios inclusive cirurgia. No caso de arranhadores com sisal é bom observar seu desgaste para evitar acidentes.
6. Custos veterinários - Esta é uma parte complicada, que muitas vezes ‘assusta’ os donos. Porém, existem formas de se diminuírem os custos se seguirmos os procedimentos básicos de saúde listados no Dossiê Saúde neste site. Devemos nos preparar para a renovação das vacinas todos os anos e os custos extras, que muitas vezes são mais caros. Infelizmente muitos animais são abandonados porque seus donos não querem pagar por suas despesas veterinárias.
7. Rede - É essencial telar o apartamento ou a casa onde está o bichano, não importa o andar. Gatos são, por sua natureza, caçadores e vão atrás de passarinhos, moscas, besouros, borboletas, sem verificar se dá para pular ou não. O gato, especialmente o filhote, não tem como avaliar o risco e o pulo atrás da borboleta, na maior parte das vezes, é fatal. No caso de se morar em casa, o problema é manter o bichano dentro de casa para evitar contato com outros gatos que possam trazer doenças, a terra que pode conter vermes, plantas venenosas que possam vir a ser ingeridas pelo gatinho, sem falar em questões de cio e de furto de gatos. A sugestão é fazer cotações de preço para instalação de rede e optar pela sugestão mais vantajosa, pois existem vários tipos de rede, umas com maior ou menor durabilidade. Não podemos nos esquecer também que os bichanos podem roer a rede, daí a malha deverá ser ‘à prova de gatos’.
8. Potes para água e ração - Os potes para água e ração não precisam ser comprados. Muitas vezes temos em casa alguma vasilha de louça que não usamos mais e que pode servir para o gatinho. Precisamos de 3: uma para ração seca, uma para água e uma outra para ração úmida. Em relação à água, vale lembrar que por sua natureza, os bichanos não gostam muito de beber água e com certeza preferem água limpa. Sabemos que a ingestão de água é essencial à vida e à boa saúde e por isso buscamos formas de atrair os gatinhos para o bebedouro. Uma ajuda é a formulação de alguns tipos de rações que incluem componentes que ‘incentivam’ os gatos a beberem água. Uma outra motivação seria uma fonte para gatos. Existem algumas importadas, porém acreditamos que logo serão fabricadas no Brasil, pois servem tanto para gatos quanto para cães. O barulhinho da água correndo atrai os bichanos.
DICA CRUCIAL DE PLANEJAMENTO FINANCEIRO: Separe um caderninho para anotar as despesas do gatinho mês a mês. Observe quanto de ração ele come, quanto de carne e outras comidinhas ele consome. Observe quantos pacotes de areia você está comprando por mês. Anote também brinquedos, caminhas, e outros mimos que você compra para ele. Veja se você também gasta material de limpeza com ele e escreva no caderninho assim como o valor das despesas veterinárias, se precisar, etc. No final do mês, some tudo. Você já terá uma idéia de quanto o gatinho custa por mês e daí poderá saber qual o gasto por ano.
CONCLUSÃO: antes de adotar ou comprar um gatinho, é necessário se planejar financeiramente, pois gatos são seres vivos e têm despesas.
ÚLTIMA SUGESTÃO: Como planos de saúde para animais são difíceis de achar e não cobrem tudo, nossa sugestão seria de se fazer uma poupança adicional de uma quantia mensal (R$20,00, por exemplo) para os gastos com o bichano em caso de doença, da vacinação anual, de exames, etc. Com o bichano saudável, essa poupança poderia também ajudar na compra de uma bolsa de transporte mais sofisticada ou uma caminha da moda. Se precisar, o dinheiro estará disponível.